Ideb: 147 escolas do DF ficaram sem nota por não terem testado o ensino básico; entenda
16/08/2026
(Foto: Reprodução) DF não atinge metas no índice da educação básica
O Distrito Federal foi a única unidade da Federação a apresentar queda no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025.
Boa parte das escolas públicas do DF, no entanto, nem chegaram a ser avaliadas pelo indicador – 147 das 811 unidades de ensino, ou 18,1% do total.
A média do DF foi nos anos iniciais foi de 6,0, abaixo da meta de 6,5 e da média nacional, de 6,1.
Já nos anos finais do ensino fundamental, também nas escolas públicas, a meta era de 5,3, e o DF registrou 4,7. A média do país foi 5,0.
No ensino médio, que soma as redes pública e privada, a situação do Distrito Federal foi ainda pior. A meta estabelecida era de 5,4, porém o índice registrado ficou em 4,1, abaixo da média nacional de 4,5.
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Segundo dados apurados pelo g1, 73 das unidades escolares de anos finais do ensino fundamental e 74 de ensino médio não tiveram o índice calculado.
O motivo é a falta de aplicação ou de adesão dos alunos na prova do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb). O simulado é obrigatório para todas as escolas públicas com pelo menos 10 alunos matriculados nas turmas avaliadas — 9º ano do ensino fundamental e 3º ou 4º ano do médio.
➡️O Ideb relaciona taxas de aprovação obtidas no Censo Escolar da Educação Básica e o desempenho dos alunos no exame do Saeb.
➡️ Os dados das escolas dos anos iniciais não foram considerados, já que a aplicação das provas nessa faixa é feita por amostragem.
Entre as escolas nesse “apagão de dados”, estão instituições conhecidas como o CEM Elefante Branco e o CEM Asa Norte (Cean). A primeira foi avaliada no último ciclo, em 2023. Já o Cean não apresenta dados no Ideb desde 2019.
Sala de aula vazia em escola do DF, em imagem de arquivo
TV Globo / Reprodução
O que diz o governo?
Procurada, a Secretaria de Estado de Educação (SEEDF) afirma que a ausência de nota no Ideb "não significa, necessariamente, que a escola não tenha participado da avaliação ou que não disponha de dados educacionais".
"A ausência do Ideb de uma unidade também não impede o acompanhamento pedagógico ou o planejamento educacional. A Secretaria utiliza diferentes fontes de informação, como avaliações próprias, dados de fluxo e rendimento escolar e outros indicadores educacionais, que permitem acompanhar as aprendizagens e orientar as estratégias pedagógicas da rede", diz a nota.
Segundo a secretaria, a ausência de resultados nas provas do Saeb deve sem analisada caso a caso, para identificar a razão específica
Para quais escolas o Saeb não é obrigatório:
Escolas exclusivamente de Educação de Jovens e Adultos (EJA);
Escolas exclusivamente de Educação Especial;
Escolas exclusivas de Ensino Médio Normal/Magistério;
Escolas indígenas que não ministram a Língua Portuguesa como primeira língua.
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Responsável pelas avaliações, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, explica que o Ideb é essencial para o cumprimento das metas do Plano Nacional de Educação do decênio 2026-2036, documento que norteia as políticas educacionais do país.
O Inep explica que, além das escolas que não são obrigadas a aplicarem o Saeb, não tiveram nota no Ideb:
as escolas que realizaram o Saeb 2025, mas não prestaram informações ao Censo Escolar;
as escolas que não registraram pelo menos 10 estudantes presentes no momento da aplicação do Saeb;
as escolas em que o número de alunos participantes do Saeb 2025 não alcançou 80% dos alunos matriculados na etapa avaliada.
➡️As escolas que não tiveram o número de participantes suficiente para divulgação do resultado do Saeb aparecem identificadas com "ND".
➡️Todas as escolas de ensino médio do DF que não tiveram o Ideb divulgado apresentam a sigla.
Em nota, a Secretaria afirma que " ocorrência de ND não significa, necessariamente, que a escola não tenha aplicado a avaliação ou que tenha deixado de atingir um único requisito específico de participação".
"Para a divulgação dos resultados individuais, o Inep estabelece critérios que incluem, entre outros, a presença de, no mínimo, 10 estudantes no momento da aplicação e a participação de pelo menos 80% dos estudantes matriculados na etapa avaliada", afirma.
"Dessa forma, a identificação de ND deve ser analisada considerando os critérios estabelecidos pelo Inep e a situação específica de cada unidade escolar. Portanto, não é adequado atribuir, de forma geral, a ocorrência de ND exclusivamente à baixa frequência dos estudantes ou afirmar que todas as unidades nessa condição deixaram de atingir o número mínimo de participantes", declara.
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Impactos na educação
O professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (FE-UnB) Francisco Thiago Silva explica que os dados do Ideb são um instrumento fundamental para orientar as políticas públicas.
Sem esses indicadores, os gestores enfrentam maiores desafios para entender os avanços e as dificuldades da rede de ensino.
Embora a nota do Ideb não defina os investimentos, o especialista pontua que o vazio de dados impacta a definição de prioridades da Secretaria de Educação – o que pode, sim, impactar o repasse de verbas.
“A gente perde um importante diagnóstico sobre aquela realidade. Não significa que a escola é boa ou ruim. Significa que gestores, professores e o próprio poder público ficam com menos informações para identificar dificuldades, acompanhar avanços e planejar ações pedagógicas mais eficazes e eficientes”, afirma.
O professor explica ainda que a falta de adesão na prova do Saeb pode indicar problemas estruturais daquela escola – excesso de faltas, distorção entre a idade dos alunos e a série adequada ou situações de vulnerabilidade social envolvendo os alunos.
Para casos como esse, o pesquisador diz que é importante a busca ativa. Ou seja, que o governo procure entender a situação daquela escola e incentivar a participação daqueles alunos.
"Não se trata de levar o aluno à escola apenas para produzir uma nota do Ideb, mas de garantir que o diagnóstico represente de fato aquela comunidade escolar", explica.
Para o pesquisador, é essencial entender que o Ideb não é uma avaliação para rotular ou punir escolas, mas para orientar os profissionais da educação.
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